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Segundo a historiadora Harriet Ritvo, da Harvard University, o conceito de raça canina adotado atualmente é muito recente. Para ela, os padrões de raça estabelecidos por associações de criadores, as provas de conformação para avaliação do plantel, os registros genealógicos públicos e os pedigrees são invenções do século XIX. Desde então, teriam se tornado elementos indispensáveis para a definição do que é uma raça canina.

Via de regra, hoje em dia um cão só pode ser considerado de raça pura se atender aos seguintes critérios:

1) carregar as características morfológicas e temperamentais padronizadas para a raça;

2) ter o seu nome e os nomes de seus ancestrais registrados num controle genealógico público;

3) ser capaz de reproduzir as características padronizadas quando acasalado com outro exemplar da mesma raça.

Antes de meados do século XIX, porém, os critérios não eram exatamente esses. Até então, a criação seletiva era assunto privado na Inglaterra e girava quase sempre em torno da produção de cães de trabalho e de esportes (alguns deles, “de sangue”: bull-baitingbear-baiting, combates entre cães, etc.). Poucos tipos eram selecionados nos palácios e mosteiros para fins de companhia – a guarda de cães de estimação era um costume limitado à aristocracia e ao clero. Os criadores mantinham registros privados das linhagens produzidas em seus canis, as quais eram apuradas com base em critérios essencialmente funcionais. A preocupação com a conformação e com a uniformidade de tipo físico era secundária. A mestiçagem não era problema. Se determinado exemplar de origem desconhecida desempenhava soberbamente suas funções, ele era incorporado ao plantel reprodutor.

A quantidade de tipos de cães reconhecidos pelos experts era mínima. Por volta de 1800, Sydenham Edwards identificou apenas 15 raças permanentes – havia uma infinidades de mestiços, entre eles o famoso cruzamento entre Bulldogs do tipo antigo e Terriers de diversas variedades cujo produto era muito usado nos combates entre cães.

Mas, ao longo desse século a história mudou e o mundo conheceu uma multiplicação sem precedentes de raças caninas. Em 1850, o veterinário William Youatt anotou 40 raças, sendo 10 delas variedades de Greyhounds. No final do século, Rawdon Lee, autor do compêndio History and Description of the Modern Dogs of Great Britain and Ireland, reconheceu cerca de 60 raças.

Hoje em dia, quase 110 anos depois da primeira edição do livro de Rawdon Lee, algumas enciclopédias apresentam mais de 300 raças canina.